segunda-feira, fevereiro 23

Colunas

Caros, conforme outro post que agendei sobre notícias, segue antes um sobre colunas.

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De: http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/02/090223_ivanlessa_tp.shtml


Do celular e seus males
Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

Eu não tenho celular. Em matéria de células, restaram-me algumas lá por volta do cérebro ou cerebelo, não sei direito, e parecem-me que dão para o gasto.

Tenho um telefone lá em casa. De vez em quando toca. Alguém - ou melhor, uma gravação - querendo me vender qualquer seguro. Desligo no meio da fala. Minha maneira patética de agredir quem me aborrece. Outras vezes, eu ligo. Para avisar na BBC que estou pior de saúde do que o de costume e não vai dar para ir. Para perguntar à minha filha, ao menos uma vez por semana, como vão as coisas.

Continuo, como desde a mais tenra idade, a dissonar de meus semelhantes. Mais de metade das pessoas que, como eu, tem a desdita de habitar este planeta, possui celulares. Da mais atrasada tribo de índios da região amazônica ao gabinete do presidente Barack Obama. Uma sorte, eu tenho. Não sou obrigado a ver, ou entreouvir trechos, das conversações dessa gente que acabo de mencionar.

O celular, asseguram-me meus sentidos e comprova a disciplina que estuda as comunicações, que o pequeno objeto em questão é um das mais bem sucedidos produtos já fabricados em todos os tempos. Afirmam ainda que é o mais versátil. Que o celular aglutina outros engenhos tais como os tocadores de mp3, o sistema de rastreamento GPS e as câmeras para fotos ou vídeos.

Aquele lugar-comum do "objeto de desejo" passou do surrado ao surrador. Eu que o diga.

Uso com desabuso, para explicar a minha retrógrada posição, um verbo antigo beirando o desuso, ou datado como gostam de dizer, ou ainda à espera de um adendo à reforma ortográfica: ojeriza, de ojerizar. Tenho ojeriza ao celular. Tentei olhar, e entreouvir, apenas com desdém aos pobres de espírito e bilionários de solidão que falam - e o falar é constante - ao celular. No celular, pelo celular, com o celular. O fato de eu desprezar os usuários de celulares não os afeta. Sofro calado minha solidão, como no samba, e, ao menos, não a compartilho com o resto da pobre coitada da humanidade com aquele infeliz aparelhinho colado no ouvido. Falando e andando. Andando e falando. E rindo. E fazendo caretas. Algumas até falando e dirigindo carro.

Até uma certa época, por falta do que fazer, durante minha caminhada solitária de todos os dias eu ia contando o número de senhoras e senhoritas a palrar sorrindo no celular. Não é misoginia, não é sexismo. Deve haver algum estudo, um especialista em comunicações, que possui os dados relevantes: 83,5 % das pessoas que conversam por celular na rua pertencem ao sexo feminino. De que estão rindo? Bisbilhoteiro, na rua e no metrô, tento entreouvir uma nesga (conversa de celular tem nesga) da falação. O pouco que consigo pegar - ao menos não berram - é sempre sobre um programa feito ontem ou a ser feito hoje. E sobre o que a pessoa do outro lado fez, achou, disse. Tudo isso, pontilhado por exclamações e grunhidos variados.

No dia 3 de abril de 2006, lá por volta das dez e meia da manhã, em Cromwell Road, eu flagrei um cavalheiro, bem vestido, de gravata, dizendo o seguinte, em inglês, para o celular:

"São mais ou menos dez e meia. Estou em Cromwell Road prestes a pegar o ônibus 74. Tudo correndo bem, mais tardar onze horas estou aí. Tudo bem. Um abraço."

Foi a única conversa celular entreouvida por mim que me pareceu prática e objetiva, sendo assim, pois, digna dos maiores encômios.

"Encômio" e "encômios" me parecem palavras merecedoras da ocasião, embora dificilmente constem do vocabulário usual daqueles que praticam o, chamemo-lo assim, "celularismo", como se fosse um vício ou doença incurável.

Voltemos ao mundo dos fatos científicos e que viva eu eternamente nesta terra descontente: a cada 15 meses os celulares são substituídos. Por modelos mais novos, mais versáteis, com certeza mais safados. Há aí um sério problema, conforme já vi discutido em editorial de jornal sério: isso significa que algumas centenas de milhões de celulares são descartados todos os anos, principalmente nos países em desenvolvimento, onde constituem um boom para a produtividade e um catalisador para novas indústrias que surgem, como o uso do sistema bancário online.

Acontece que, ao menos aqui no Reino Unido, apenas 20% dos celulares são reciclados. Isso significa perigo para o meio ambiente. Os celulares contêm substâncias como o cádmio em suas baterias. O cádmio é um perigo. Se bobearem jogando fora no mar ou num rio, isso pode vir a matar peixe e banhista. Ambos também armados ou não de celular. É preciso cuidar de não degradar o pouco que resta de vivível em nosso meio ambiente. Dizem lá eles.

Sou contra. Que poluam. Que degradem. Cádmio neles. A vida em meio a bilhões de pessoas armadas de celular não vale a pena ser vivida.

domingo, fevereiro 22

Piadinhas para o ritmo do (contra) carnaval

Está odiando o mundo? E a si mesmo por ter ficado preso e só ouvir carnaval?


NÃO PULE PELA JANELA AINDA!

Leia antes. Pelo menos terá umas piadinhas novas para contar para São Pedro (ou o maledeto, dependendo de para onde for...)

Pule a primera, melhora...

(ainda o odeio por ter roubado meu mote "servimos bem para servir sempre" - de volta na área! ;-) )



E para continuar no ritmo de "eu amo carnaval, eeee" (sarcasmo)

Está cansado de tudo, puto, quer matar um?
Calma! Pense assim... Você poderia ser uma girafa!

sábado, fevereiro 21

Carnaval? Que nada! "Ficar em casa"

Passar quatro dias e quatro noites em casa, vendo o carnaval passar; ou não vendo nem isso, mas entregue a uma outra e cifrada folia, que nesta quarta-feira de cinzas abre suas pétalas de cansaço, como se também tivéssemos pulado e berrado no clube. Não ligar a televisão, esquecer-se do rádio; deixar os locutores falando sozinhos, na ânsia de encher de discurso uma festa à base de movimento e de canto. Perceber apenas o grito trêmulo, trazido e levado pelo vento, de um samba que marca realidade lúdica sem nos convidar à integração. Beneficiar-se com a ausência de jornais, que prova a inexistência provisória do mundo como arquitetura de notícias. Ter como companheiro o irmão gato Crispim, exemplo de abstenção sem sacrifício, manual de silêncio e sabedoria, aventureiro que experimentou a vertigem da luta-livre nos telhados e homologa a invenção da poltrona. Penetrar no vazio do tempo sem obrigações, como num parque fechado, aproveitando a ausência de guardas, e descobrindo nele tudo que as tabuletas omitem. Aceitar a solidão; escolhê-la; desfrutá-la. Sorrir dos psiquiatras que falam em alienação do mundo e recomendam a terapêutica de grupo. Estimar a pausa como valor musical, o intervalo, o hiato. O instante em que a agulha fere o disco sem despertar ainda qualquer som. Andar de um quarto para outro sem ser à procura de objetos: achando-os. Descobrir, sem mescalina, as cores que a cor esconde; os timbres entrelaçados no ruído. Olhar para as paredes, ou melhor, olhar as paredes em torno dos quadros. Sentir a casa como um todo e como partículas densas, tensas, expectantes, acostumadas a viver sem nós, à nossa revelia, contra o nosso desdém. Habitar realmente a casa, quatro dias: como ilha, fortaleza, continente; infinito no finito; reconsiderar os livros, arrumá-los primeiro com método, depois com voluptuosidade, fazendo com que cada prateleira exija o maior tempo possível; verificar que antes é preciso tirar a poeira de um, remover a boba capa de celofane que envolve a encadernação de outro. Reler dedicatórias, abrir ao acaso livros de poetas que preferimos e que infelizmente não são os mais modernos, nem os mais célebres; copiar meia estrofe por onde corre arrepio verbal; separar volumes que não nos falam mais nada e que devem tentar seu destino em outras casas. Sentir chegada a hora dos álbuns de pintura com pouco ou nenhum texto, e dos volumes iconográficos que nos contam Paris ou a vida de Mallarmé. Viajar em fotografias; sentir-se imagem flutuando entre imagens; a terra domesticada em figura, tornada familiar sem perda de sua essência enigmática. Reconhecer que muitos livros comprados a duras penas, pedidos ao estrangeiro ou longamente minerados nos sebos, não têm mais do que essa oportunidade de comunicação durante o ano; deixar que fiquem a sós conosco e nos confiem seu segredo. Admitir a fome, sem exigência de horário, e matá-la com o que houver à mão; renunciar à idéia de almoço e jantar, com reverência ao sagrado direito que assiste a todos, inclusive e principalmente às cozinheiras, de brincarem o seu carnaval; achar mais gosto nessa comida, porque não é regulamentar nem é seguida de nada: todas as obrigações estão suspensas, e só valem as que soubermos traçar a nós mesmos. Descortinar na preguiça um espaço incomensurável, onde cabe tudo; não enchê-lo demais; devassá-lo à maneira de um explorador que não quer ser muito rico e tanto sente prazer em descobrir como em procurar. Assim vosso cronista passou o carnaval: sem fugir, sem brincar, divertido em seu canto umbroso.

Carlos drummond de andrade. 1960 (de "A Bolsa e a vida" - sim, isso mesmo, não é "a bolsa OU a vida...)

Ok, call me addicted...

...já tentei outras coisas, mas tecnologia é definitivamente meu vício.


E como tradição é o que manda, junto dos clássicos Jeans da Levis, Harley Davidson, Pizza do tio Bosco (aka Dom Bosco), está entre os top 5 deste nada menos que sincero autor (ok, admito, não tenho a MENOR idéia pq o Jeans da Levis é um clássico), segue o próximo "dreams gadget":

terça-feira, fevereiro 10

And...

...suddenly, out of the blue, he - slowly - raised his head, gave a glance (lacking of speed) around, and thought:
 
"Where the fuck am I?"

segunda-feira, fevereiro 9

Me...

...and my postsecret.
 
Será que tenho coragem de/devo mandar?